EDUCAÇÃO DOS FILHOS

Porque educar hoje se tornou um assunto que traz tanto frio na barriga? Porque tantos casais estão optando por não ter filhos?



As contradições estão muito intensas: por um lado, os pais declaram o amor incondicional aos filhos e os tornam o centro da vida familiar, por outro lado, testemunhamos uma enormidade de queixas desses mesmos pais em relação às crianças e aos adolescentes.


Ao que parece ter filhos se tornou uma tarefa onde é necessário um aparato perfeito para concorrer ao cargo.


Não parece mais que as crianças nascem do amor de duas pessoas que acreditam que a família e importante. Parece que as pessoas estão muito mais preocupadas com seu desempenho enquanto pais do que os sabores dessa relação

Problemas, dificuldades, dúvidas e renúncias, são fatores inerentes a qualquer função adulta, e nela se inclui ter família e filhos. Qual pessoa que trabalha e desempenha uma função profissional que já não passou por dificuldades? Parece que desempenhar função familiar se tornou algo que tem que ser perfeito. Mas o que e perfeito? Quando algum paciente relata que não se sente preparado para ter uma família muitas vezes acho isso muito corajoso. Pois seria muito importante que algumas pessoas reconhecessem que não tem condições emocionais para ter uma família. Isso evitaria muito outros problemas. Porem o que esta cada vez mais presente na vida das famílias é a queixa de que ter filhos e educá-los é tarefa muito além da capacidade humana.



E claro que não se pode negar que hoje a sociedade não ajuda muito com as condutas que antes eram de domínio comum. Exemplo: hoje se você fala para uma criança que ela não deve gritar, falar mal, respeitar as regras, ela imediatamente olha e diz a você: “você não e meu pai ou minha mãe”. Ai nos recolhemos na nossa insignificância frente às relações sócias e desistimos.


Então, senhores pais, é preciso aceitar o fato de que sim, eles dão e darão trabalho por motivos simples: recusam o mundo adulto ao qual são sujeitados, precisam experimentar e testar suas possibilidades e, portanto, desobedecer, por exemplo. E, acima de tudo, porque cada um deles é singular, muito diferente do filho ideal que aprendemos a querer ter.


E é exatamente por esse motivo que receitas não costumam funcionar. Ou até funcionam temporariamente, mas as questões que eles nos trazem sempre retornam, de um jeito ou de outro. Mais do que buscar respostas indicadas para esta ou aquela questão, é preciso olhar de perto e de olhos bem abertos cada um dos filhos para que, conhecendo-os, seja mais possível buscar soluções às questões que eles apresentam. E, mesmo assim, saber que as soluções que encontrarmos nunca serão mágicas.

Educar é um processo contínuo e isso significa que os resultados das estratégias que usamos com os mais novos podem não ser imediatos ou rápidos. Mas persistir por um tempo é o que irá mostrar se podem funcionar ou não.



Caso se constate que a estratégia escolhida não funcionou, é preciso criar outra maneira de abordar a questão. Manter-se potente na função de mãe e de pai não combina com as frases "Não sei mais o que fazer”. Os pais naturalmente, na hierarquia familiar, já assumem um papel onde se espera inclusive os filhos, que eles saibam mais. Só precisam se apropriar desse papel.

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