O critério de escolha de um médico

⚠Alerta! O critério de escolha de um médico não deve ser pelo número de seguidores, desempenho e curtidas nas redes sociais. Antes de realizar qualquer procedimento estético invasivo, certifique-se sobre a capacitação e formação médica do profissional escolhido. A prática da medicina e a realização de tratamentos devem ser feitos em estabelecimentos de saúde, como consultórios médicos, clínicas e hospitais. ⠀ ✅ Antes de se consultar, assegure-se de que o médico possui RQE (Registro de Qualificação de Especialista) em Dermatologia. Essa é uma maneira simples de reconhecer o profissional correto. ✅ Procure sempre médicos credenciados pela SBD e com RQE, por meio de pesquisa no site do Conselho Federal de Medicina (CFM): portal.cfm.org.br ou no site da SBD: www.sbd.org.br.

Educação dos Filhos

“Ao que parece, ter filhos se tornou uma tarefa onde é necessário um aparato perfeito para concorrer ao cargo.”

Por que educar hoje se tornou um assunto que traz tanto frio na barriga?
Por que tantos casais estão optando por não ter filhos?

As condições estão muito intensas

Por um lado, os pais declaram o amor incondicional aos filhos e os tornam o centro da vida familiar, por outro lado, testemunhamos uma enormidade de queixas  desses mesmos pais em relação às crianças e aos adolescentes.

Ao que parece, ter filhos se tornou uma tarefa onde é necessário um aparato perfeito para concorrer ao cargo. Não parece mais que as crianças nascem do amor de duas pessoas que acreditam que a família é importante. Parece que as pessoas estão muito mais preocupadas com seu desempenho enquanto pais do que os sabores dessa relação.

Problemas, dificuldades, dúvidas e renúncias, são fatores inerentes a qualquer função adulta, nela se inclui ter família e filhos. Qual pessoa que trabalha e desempenha uma função profissional que já não passou por dificuldades? Parece que desempenhar função familiar se tornou algo que tem que ser perfeito.

Mas o que é perfeito?

Quando algum paciente relata que não se sente preparado para ter uma família, muitas vezes acho isso muito corajoso. Pois seria muito importante que algumas pessoas reconhecessem que não tem condições emocionais para ter uma família. Isso evitaria muitos outros problemas. Porém, o que está cada vez mais presente na vida das famílias, é a queixa de que ter filhos e educá-los é tarefa muito além da capacidade humana.

E claro que não se pode negar que hoje a sociedade não ajuda muito com as condutas que antes eram de domínio comum. Exemplo: Hoje, se você fala para uma crianças que ela deve respeitar as regras, não deve gritar, falar mal, ela imediatamente olha e diz a você: “Você não é meu pai ou minha mãe!”. Aí, nos recolhemos na nossa insignificância frente às relações sócias e desistimos.

Então, senhores pais, é preciso aceitar o fato de que sim, eles dão e darão trabalho por motivos simples: Recusam o mundo adulto ao qual são sujeitados, precisam experimentar e testar suas possibilidades e, portanto, desobedecer, por exemplo. E, acima de tudo, porque cada um deles é singular, muito diferente do filho ideal que aprendemos a querer ter.

É exatamente por esse motivo que receitas não costumam funcionar.

Ou até funcionam temporariamente, mas as questões que eles nos trazem sempre retornam, de um jeito ou de outro. Mais do que buscar respostas indicadas para esta ou aquela questão, é preciso olhar de perto e de olhos bem abertos cada um dos filhos para que, conhecendo-os, seja mais possível buscar soluções às questões que eles apresentam. Mesmo assim, saber que as soluções que encontrarmos nunca serão mágicas.

Educar é um processo contínuo

E isso significa que os resultados das estratégias que usamos com os mais novos podem não ser imediatos ou rápidos. Mas persistir por um tempo é o que irá mostrar se pode funcionar ou não.

Caso se constate que a estratégia escolhida não funcionou, é preciso criar outra maneira de abordar a questão. Manter-se potente na função de mãe ou de pai não combina com as frases: “Não sei mais o que fazer”. Os pais naturalmente, na hierarquia familiar já assumem um papel onde se espera inclusive os filhos, que eles saibam mais. Só precisam se apropriar desse papel.

 

Autora: Angélica Maria Antonholi Botassari
Psicóloga
CRP – 03619-3

Relação Pais e Filhos

A relação entre pais e filhos nasce junto com a concepção. Porem ela só vai sendo desenhada com o desenvolvimento da criança. Nesse ajuste que começa aparecer o descompasso familiar onde existe uma interação de fatores que se misturam para formar esse difícil papel de se relacionar. Pois cabe aos pais uma maior maturidade psíquica para que os filhos possam ter segurança no desenvolvimento. Mas o que acontece em alguns casos, é que estamos falando de um comportamento tóxico por parte dos pais em relação aos seus filhos, algo que realmente se torna perigoso no desenvolvimento emocional dos pequenos.

Não seja tóxico!

construção da personalidade das crianças tem muito a ver com o comportamento dos pais em relação a eles, por isso é primordial que os pais sejam conscientes que existem comportamentos que podem prejudicar gravemente aos seus filhos em longo prazo.

Essa relação constitui amor incondicional, afeto, carinho, proteção, perdão, liberdade, valores, educação, conhecimentos… Porem sem gritos, manipulações, agressividade, chantagem ou qualquer outra palavra que possa denotar um comportamento tóxico que possa adoecer a saúde emocional dos filhos.

Infelizmente, existem casos em que a relação com os pais podem chegar a ter habitualmente reações pouco adequadas onde as críticas destrutivas, a vitimização e inclusive a competição com os próprios filhos se torne um caminho perigoso.

A internet não é a babá do seu filho

Outro grande fantasma e a questão da tecnologia. Onde muitas doenças familiares estão ficando cada vez maior. Pais e mães completamente alienados a esses formatos abandonando seus filhos no mundo. Priorizando o prazer momentâneo das relações virtuais e voláteis ao invés da difícil tarefa da relação parental verdadeira e cheia de dificuldades.

Precisamos tomar conta dessas relações para que o desenvolvimento não seja alienado as novidades porem que elas venham ajudar como de fato ajudam, mas com medida e verdadeira necessidade e não como esta.  Substituindo o que e mais primordial na relação humana o cuidado o contato real. Pois só nos tornamos pessoas se somos verdadeiramente amados e aceitos com nossas características sejam elas boas ou não tão boas assim. Pois o desenvolvimento humano só termina com o fim.

TEMA A SER DISCUTIDO: Morte Sem Tabu – A Era dos Adictos

Vamos falar sobre o suicídio.

O tema é considerado tabu e uma questão alarmante. Todos os anos, cerca de 12 mil pessoas se suicidam no Brasil, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), e 800 mil no mundo. A taxa de suicídio cresceu 62,5% nos últimos trinta anos, aumentando o ritmo a partir da virada do século, segundo o Mapa da Violência 2014, organizado por Julio Jacobo Waiselfisz. De acordo com esse estudo, há pouca discussão sobre o tema e haveria um tabu na mídia de divulgar essas questões para evitar o efeito de incentivar suicídios por imitação ou indução, chamado de Efeito Werther. A produção acadêmica também não estaria acompanhando essa realidade. Acesse o mapa neste link.

A OMS divulgou um relatório em 2014, colocando o crescimento das taxas de suicídio como um grave problema mundial de saúde pública. É a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos e há indícios de que para cada adulto que se suicida, 20 tentaram cometer o ato. A instituição afirma que os suicídios são evitáveis e elaborou uma cartilha sobre como preveni-lo. Disponível aqui. Ela é destinada a profissionais de saúde, mas acredito poder ser útil para o público em geral. Segundo reportagem da Folha sobre esse relatório, o Brasil é o oitavo país no ranking mundial de suicídios.

Tenho escutado cada vez mais notícias de que um amigo de infância, colega de classe ou mesmo amigo próximo, se suicidou. E acredito que não sou a única. Há várias questões fundamentais a serem discutidas do porquê do aumento das taxas de suicídio e o que fazer a respeito. A entrevista abaixo traz o ponto de vista de Thiago Sarkis, psicanalista de Belo Horizonte, membro e supervisor da CAPA*.

Ele faz uma análise dos tempos atuais, refletindo sobre o que chama de “A era dos adictos”. O cenário traçado me parece um bom ponto de partida para a discussão que pretendo trazer cada vez mais a esse fórum. Já abordei em outros posts as campanhas “Precisamos falar sobre o aborto” e a “Vamos falar sobre o luto”. Agora inicio essa: “Vamos falar sobre o suicídio”, seja pensando sobre características patológicas da nossa sociedade ou mesmo em termos práticos.

Dizem que não se fala em suicídio na mídia por causa do tal Efeito Werther, que se baseia na ideia de que explorar o tema pode incentivar potenciais suicidas a cometerem o ato, ao lerem notícias de pessoas famosas que se mataram, por exemplo. De forma mais abrangente, o efeito fala sobre como comportamentos humanos podem ser influenciados por ideias, e tem esse nome herdado de um romance de Goethe – “Os Sofrimentos do jovem Werther” (1774), em que o protagonista se suicida por causa de um amor frustrado. Utilizar o medo desse efeito como justificava para ficarmos calados não é válido e talvez uma das causas para as taxas aumentarem ainda mais. Claro que não é benéfico falar em suicídio de forma sensacionalista, mas fora isso, é fundamental discutirmos esse tema e suas ramificações.

Segue, abaixo, a entrevista.

O que seria a era dos adictos?

Vivemos numa era alarmante quanto ao abuso, à compulsão, ao vício. Não só em relação a drogas (remédios e drogas ilícitas), mas também a vícios de todo tipo: viciados em celular, internet, rede social, futebol, televisão, bebida. Tudo é vício e tudo é vivido à exaustão. Compramos demais, comemos demais, bebemos demais, jogamos demais, teclamos demais, produzimos demais, trabalhamos demais, fazemos exercícios físicos demais, contudo, falamos de menos sobre o que eu chamo de “território do negativo” – fragilidade, tristeza, falta de sentido, dificuldades, desordem, morte, falhas, diacronia, estranheza, desencontros, adoecimentos, suicídio etc. Diferenças então? Nem pensar. Jamais tratamos disso.

Esse cenário pode estar relacionado ao aumento das taxas de suicídio?

Essa situação da adição não necessariamente leva ao suicídio ou teria a ver com o aumento das taxas de suicídio, mas os dois temas tocam a mesma questão, que é a de como lidamos com o vazio na contemporaneidade. Procuramos sempre reafirmar nossa identidade, ou aquilo que está no que eu chamo de “território do positivo”. Fazemos com esse território, que inclui, dentre outras coisas, identidade, potência, capacidade, força, saúde, vitalidade, resistência, beleza, sincronia, sentido, ordem, ideal etc., o oposto do que fazemos com o “território do negativo”. Enquanto fugimos e evitamos a todo custo qualquer contato com o registro da falta, vamos sedentos em busca de tudo – e o tempo todo – que tange ao registro do “positivo”. É importante ressaltar que, quando falo de positivo e negativo não associo qualquer ideia de bom ao positivo e mau ao negativo, nem qualquer coisa similar. O território do negativo apenas marca uma subtração no Eu e o do positivo marca um acréscimo, um “a mais”.

Lidar com o registro da falta não é de fato fácil, mas quanto menos o fazemos, mais dificuldade temos ao nos depararmos com isso. Lembro-me de assistir a jogos de futebol com as torcidas misturadas. Hoje em dia a coisa se agravou de tal forma que decidiram separar as torcidas, inclusive impedir que ambas estejam nos mesmos jogos, porque o lidar com o outro, com esse registro da alteridade radical, com aquilo que não confirma minha identidade mas sim marca uma diferença, traz dúvidas insuportáveis: o que sou eu? Quem sou eu? Sou de fato o que penso que sou? Então, procura-se eliminar a dúvida.

Quais aspectos podem ser vistos como determinantes em casos de suicídio e como isso se correlacionaria com o que estamos falando?

Algo que me parece claro no caso do sujeito que comete suicídio é certo raciocínio peculiar que vai se desdobrando desta maneira: “Não há sentido. Tudo dá em nada. Tudo é nada. Nada é tudo. Eu sou nada. Nada vai mudar. Não há mais nada a fazer”. O sujeito que comete um suicídio, entretanto, não é necessariamente um niilista. O niilista vê a falta de sentido em toda e cada parte ou ao fundo de tudo. O suicida não vê nada além do nada. Ele habita exclusivamente o território do negativo e crê que este território é tudo o que há.

Outro aspecto importante: talvez todos nós já passamos por um ou vários destes pensamentos: “tudo dá em nada”, “não há nada que eu faça que adiante”, “tudo é nada”, “eu sou nada”, “eu não sirvo para nada”, “tudo dá errado comigo”. Enfim, estes e similares. O suicida não é alguém que me parece simplesmente passar por estes pensamentos. Ele é alguém que se afunda nestes pensamentos, que não consegue se desvencilhar minimamente de quaisquer destas perspectivas e que, ao invés de se psicanalisar e se tratar a fim de questionar todas estas certezas, encerra seu suplício indo ao encontro da única coisa que enxerga: o nada.

É absolutamente equivocado e simplista dizer que o pensamento da pessoa que comete um suicídio é um “raciocínio estúpido” ou que, para mudar, basta que a pessoa “pense diferente”. Não é uma questão consciente. O raciocínio descrito é resultado de uma série de fatores que incluem agressividade, ansiedade, sensações de depreciação, exclusão, inutilidade, inoperância, impotência, fracasso em relação às próprias expectativas ou de outros, frustrações, sérios conflitos em relações interpessoais (principalmente com aqueles que operam nas funções paterna e materna) etc. A quantidade de questões singulares que acharemos nestas situações é imensa também. Não há como dizer: “é assim para todos”. No máximo: “generalizando, é assim”. Só ouvindo a história de cada um para entender.

O que mais podemos ver de comum em pessoas que pensam ou chegam a efetivar um suicídio?

Outro ponto comum é ver nas pessoas que falam seriamente em suicídio a aplicação em si de uma agressividade que, na verdade, se desviou: inconscientemente se direciona a outro, porém, algo impede que essa agressividade se realize em relação a este outro, e ela “estaciona” na pessoa ou, em termos freudianos, “retorna” na própria pessoa.

Em outros casos, é possível observar a pessoa agredindo o que há deste outro em si. Ao se ver repetir um ato que repudia e que é usual de algum outro que ele não quer ser e com quem não quer se parecer minimamente (em outras palavras, ao se deparar com uma identificação indesejada), o sujeito pode se agredir de múltiplas formas, dentre elas, o próprio suicídio.

Há um abuso do uso de remédios como anti-depressivos e ansiolíticos?

Em determinadas situações, sim, há abuso. O remédio deixa de ser medicamento e passa a ser droga destinada a perpetuar o estado do paciente, ao invés de ajudá-lo. Por exemplo, já escutei analisandos dizendo que não podem parar de tomar o remédio porque não podem falhar, não podem parar de forma alguma em qualquer âmbito: não podem, nem por um instante, vacilar, parar de trabalhar, parar de ser um bom marido, um bom pai, lidar com os próprios limites, pensar em questões pessoais.
O remédio tem o seu lugar e vem auxiliando para que, mesmo em condições psicológicas desfavoráveis, a pessoa possa seguir a vida. Alguns cenários psicopatológicos são seriamente impossibilitantes e nestes o remédio atua muito bem. Mas o uso do remédio às vezes é que é questionável, pois entra no lugar de uma droga. Ao invés de auxiliar o paciente a lidar com suas questões, o remédio comumente tem surgido como aquilo que se alia ao excesso do paciente e “o ajuda” a não ter que lidar minimamente com quaisquer de suas questões. Algo similar a um jovem que toma uma pílula na boate para poder se manter de pé até o amanhecer. Ou o funcionário que precisa trabalhar a noite inteira e apela a todas as substâncias possíveis para não dormir, “não parar”, “não falhar”. Todos esses cenários partem do princípio da necessidade de se produzir esse “a mais” eterno. É sempre um mais, a coisa não acaba. A pessoa, sim, “se acaba”, mas não sei se no melhor sentido da expressão.

Você vê alguma pressão para sermos felizes?

Uma marca cruel da atualidade é a exigência de felicidade, assim como a necessidade de você transmitir essa felicidade a seus semelhantes e vivê-la constantemente, ininterruptamente. Isso não é felicidade. Isso é mania. Toca mais no pathos do que na felicidade real, que seria mais próxima de coisas momentâneas, do desfrutar, contemplar do que do “se acabar”, ou viver em um interminável excesso. A felicidade não existe initerruptamente. A tristeza tem o seu lugar e é fundamental que ela tenha o seu lugar. Não podemos excluí-la. E ai tocamos novamente no território do negativo: a tristeza, a diferença, a falha, a incapacidade, a dificuldade, a morte, o adoecimento. Não falamos sobre isso, excluímos esses temas das nossas conversas e agimos como tudo isso sequer existisse.

Mas não é possível tamponar essas coisas porque são elas que se afirmam para além de nossa vontade. Podemos fazer o esforço que for, por meio de drogas, de Instagram, de inúmeros selfies, aquisições e compras de todo tipo, sorrisos amarelos de suposta alegria, horas e horas conectados à Internet, mil “amigos” no Facebook que sequer nos conhecem e qualquer outra coisa que nos ajude a ser vistos da forma desejada ou idealizada por nossos semelhantes, mas não adianta. Esse projeto de “eterno a mais” é fracassado desde seu princípio, por tentar afirmar aquilo que – eventualmente – se conquista, e evitar a todo custo aquilo que inevitavelmente se impõe.

Como lidar com isso?

É uma resposta difícil e não penso que falemos de uma cura aqui. Falamos mais de um tratamento, de algum apaziguamento possível. Talvez um ponto crucial seja conseguir encontrar um sentido próprio para a vida; conseguirmos nos esquivar um pouco dos sentidos ofertados e, assim, tentar encontrar um sentido mais particular, que tenha ressonância com nosso desejo, não com a demanda externa.

Essa tentativa eterna de afirmar um positivo faz justamente com que se caia no vazio – em relação ao próprio desejo principalmente. E se não sabemos lidar com isso, porque evitamos qualquer contato com este ponto no nosso dia a dia, acabamos reagindo aos encontros com o “território do negativo” com quadros de ansiedade, pânico, depressão, adição, e até mesmo, o suicídio.

Porque essa questão da adição, como você coloca, está impactando essa era especificamente?

Além da maneira como lidamos com a falta, nossa era tem uma maneira muito particular de lidar com os objetos. É uma via intensa, fusional, sem limite. O que marca a experiência da adição no nosso tempo pode estar conectado a essa experiência ininterrupta com nossos objetos de investimento. Estamos em absoluto curto-circuito com as centenas de objetos com os quais nos relacionamos.

Acho que isso que estou falando é caricaturalmente representado em um episódio recente dos humoristas do “Porta dos Fundos”, chamado “Sem Bateria”, onde um casal está num restaurante e o homem fica sem bateria do celular. Assim, ele é obrigado a conversar com sua esposa e vê que não sabia nada da vida dela, nem de sua própria de certa forma. Esse sujeito é um emblema da adição da nossa sociedade, da vivência funcional com nossos objetos e de como o “vazio” se impõe para além de todos os nossos infrutíferos esforços do contrário. Estamos em curto-circuito.

Qual é o futuro dessa realidade?

O futuro dessa realidade já é um pouco do que vemos na atualidade. Se é um curto-circuito, em algum momento vamos pifar, entrar em colapso. Mas não é uma situação apocalíptica, porque temos nossos meios e temos outras habilidades. Essa questão de nossas relações de objeto tem uma marca muito forte no homem contemporâneo e nos causa danos seríssimos, mas não somos só isso.

Há solução?

Há apaziguamentos, possibilidades de melhora. Algum excesso, porém, estará sempre ali. Ou melhor, aqui (em nós). E cada analisando encontra a sua forma de melhorar a partir da análise. O certo é que uma forma de amenizar esse processo agudo é passar a discutir essas questões, falar dos sentimentos, falar do que dói, abrir as portas a esse território que tão freneticamente evitamos.

 

Autoria: Produzido pela dramaturga Camila Appel

Estresse e Tempo com Qualidade

Como reconhecer e aliviar as principais fontes de estresse da nossa vida?

Como melhor administrar o tempo, para evitar a sobrecarga e viver melhor?

O estresse tem sua parte positiva e negativa “bom estresse” representa o grau razoável e necessário de exigência e de motivação para fazer face aos compromissos assumidos, cumprindo prazos e horários, buscando o bom desempenho. É o “bom estresse” que nos mantém em movimento, estimulados a persistir nas metas estabelecidas, decididos a superar obstáculos.
Já o estresse em grau exagerado e o provocador de inúmeras doenças (cardíacas, gástricas, dermatológicas, etc.), de ataques de angústia e de crises depressivas. Isto prejudica o desempenho no trabalho e piora a qualidade dos relacionamentos, uma vez que a pessoa cronicamente estressada está muito mais sujeita à irritabilidade, impaciência, mau humor. 

Fontes de Estresse

É fundamental, na busca diária do equilíbrio em nossa vida, reconhecer as fontes inevitáveis de estresse, procurando descarregá-lo de modos saudáveis e procurar perceber as fontes de estresse que nós mesmos criamos, para tentar evitá-las.
Estamos vivendo em um momento mundial onde e colocado que o sujeito tem que produzir, tem que ser o melhor e isso e uma fonte inesgotável de angustia. Ninguém consegue atingir todos os objetivos, todas as etapas com perfeição. O que podemos conseguir, é fazer o melhor de nós, não o impossível. A super exigência cruel que acarreta sobrecarga e acúmulo indevido de funções, dificuldade de dizer “não”, incapacidade de delegar tarefas e responsabilidades, centralizando e controlando tudo, pavor de desagradar ou desapontar os outros, sentimento de culpa intenso, provocando a sensação de estar sempre aquém do esperado, pessimismo e pensamento catastrófico (imaginar sempre as piores hipóteses).

E nos relacionamentos?

A pessoa estressada, com tendência a ficar irritadiça e impaciente, contagia quem está por perto, tornando o convívio tenso e pesado. É preciso desenvolver o senso de humor, a capacidade de amar e de cultivar amizades, aprender a olhar para as situações de modo mais positivo, “pegando leve”. A clareza da comunicação, a ampliação da escuta para estabelecer os “acordos de convívio”, a busca do bem-estar, conversas interessantes, carinho, gentileza e atenção são ótimas sementes de harmonia nos relacionamentos.

Quanto ao estresse que criamos por meio de nossas características pessoais, é importante desenvolver uma postura de determinação para efetuar pequenas mudanças que façam a diferença. Para isto, podemos trabalhar com o conceito de “compromisso mínimo”. Para muitos, o simples pensamento de efetuar todas as mudanças necessárias é desencorajador: “É tanta coisa que nem sei por onde começar”. Porém, escolher um pequeno ponto de partida, qualquer que ele seja, é uma decisão essencial: o importante é começar, com determinação e autodisciplina.

Levando em consideração grau desse estresse e qual é o caminho que ele vai percorrer. Hoje temos muito mais crianças com ansiedade que tínhamos. Nossos adolescentes estão perdidos. Precisamos colocar em pratica atitudes simples e comportamentos adequados e limitados para que possamos ter qualidade de vida e desfrutar de todo o prazer e felicidade que ela possa nos presentear.

 

Autoria: Angélica Botassari

Meu Filho, Você Não Merece Nada

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor. 

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Iludidos com a facilidade

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste. 

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes. 

Por que boa parte dessa nova geração é assim?

Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade. 

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais? 

Esforço X Genialidade

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país. 

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”. 

A vida não é tão fácil

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer. 

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão. 

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude. 

Quando o que não pode ser dito vira sintoma

Já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa. 

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir. 

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando. 

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa. 

A Verdadeira Realidade

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito. 

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência. 

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

 

Autoria: A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada

ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo). 
E-mail: elianebrum@uol.com.br 
Twitter: @brumelianebrum

Quando é Que Começamos a Pensar Sobre Nós

Muitos são os comentários sobre a realidade psíquica de cada um.
Cada vez mais, a mídia e a ciência tem interesse nesse tema. Vários fatos têm nos deixado abalados em nossas convicções mais humanas.
Será que existe maldade nas crianças? A partir de que momento elas sabem quem são? Será possível uma criança pequena fazer suas escolhas?
Essas são apenas algumas das questões que se referem à autonomia e discernimento.

Autonomia e Discernimento

Esses dois conceitos são complementares, haja vista que uma pessoa com mais autonomia tem mais capacidade de discernimento. Por outro lado, essa realidade não está vinculada propriamente a idade cornológica, mas sim, à idade de desenvolvimento mental, que pode variar muito entre as pessoas.

A Individualidade de Cada Um

A Ciência traça uma linha que, mais ou menos, coloca um protocolo sobre esses conceitos. Porém, está se criando um padrão, e deixando de lado a individualidade de cada ser.
Se compararmos uma criança que tem acesso à educação, lazer, saúde e espiritualidade como norteadores, ela vai responder socialmente com grande diferença daquelas que são privadas desses alicerces. Então a questão de pensar está muito mais ligada à exposição e contato com a realidade, do que desenvolvimento mental propriamente dito.

Enredo Social

Quando pensamos em uma criança cometendo um crime, pensamos apenas no sujeito isolado. Na maioria das vezes cometemos um grande erro ao fazer isso, porque não dá para pensar em indivíduo pensante, sem saber do seu enredo social e familiar.

O estudo da mente humana é algo muito complexo. E não é possível resumir. O que é importante a ser lembrado, é que a formula que ainda protege o ser humano da selvageria, é escolher o repertório no qual ele está inserido. Uma criança que brinca com a violência, vai achar normal ser violento. A criança que é desamparada, dificilmente vai confiar e amar. Não precisamos de definições cientificas apuradas para avaliar um comportamento, porém, precisamos de coragem para formar gente. Pois limitar a criança a determinadas exposições, dá muito trabalho (violência, sexualidade precoce, conteúdos inadequados para a idade, jogos agressivos, etc.).

 

Autoria: Angelica Maria Antonholi Botassari – Psicóloga

Filhos: Educação e Limites

Até onde os pais podem atender aos desejos e às exigências da criança?
Como educar um ser imaturo, impregnado de vontades, sem causar danos psicológicos ou emocionais?
Uma dúvida inquieta os especialistas e ecoa a todo instante na cabeça dos pais: como impor limites aos filhos?

Formar a Personalidade é um Desafio

Educar com Limite: dizer “sim” sempre que possível e dizer “não” quando necessário.
Para tanto, é preciso conhecer as características de cada fase do desenvolvimento.

Dependência Absoluta

Dependência Absoluta

Dependência Relativa        

Dependência Relativa

Independência

Independência

 Dependência: Três Estágios

“Um bebê não pode existir sozinho porque ele é essencialmente parte de um relacionamento”.

  •  Dependência absoluta
  •  Dependência relativa
  •  Rumo à independência

A maturidade reside na interdependência.

A Criança de 0 a 2 anos

  • Sua conduta é determinada por elementos constitucionais e ambientais;
  • Desenvolve os reflexos inatos por meio da repetição dos seus atos;
  • Na interação com objetos e pessoas vai construindo uma lógica de ação.

O Desenvolvimento da Criança de 2 e 3 anos

  • Melhor coordenação motora, tanto para flexão como para extensão. Controle do
    polegar.
  • Maior progresso na linguagem.
  • Interdependência das atividades mentais e motoras.
  • Aprende, ainda, principalmente por imitação.
  • Maior desenvolvimento da inteligência e poder de dedução.
  • Memória mais desenvolvida.
  • Negativismo acentuado.
  • Habilidade maior para expressar emoções.
  • Capaz de dramatizar (3 anos).
  • Observação de detalhes.
  • Atenção mais desenvolvida.

Orientação

  • A criança necessita de espaço para correr e pular. Deixar ao seu alcance tesoura sem ponta.
  • Conversar normalmente com a criança. Não imitar a fala infantil.
  • Oferecer espaços para o faz-de-conta.
  • Ter paciência, pois é uma condição normal do crescimento.
  • Evitar as oportunidades de alternativas: pôr o assunto em termos definidos, falar clara e simplesmente com ela.
  • Dar oportunidades de dramatizar.
  • Solicitar que descreva gravuras.

O Desenvolvimento da Criança de 4 e 5 anos

  • Melhor coordenação dos músculos grandes. Pequenos músculos das mãos mais desenvolvidos.
  • Capacidade para concentrar a atenção durante 15 – 20 minutos, aos 4 anos.
  • Imaginação muito fértil.
  • Tem senso de iniciativa; percebe que pode planejar, ter e executar idéias.
  • Afetuosa – Curiosa.
  • É capaz de concentrar a atenção por períodos mais longos, 20 – 40 minutos, a partir dos 5 anos.
  • É mais segura de si mesma, tem capacidade de autocrítica.
  • Aparece o interesse pelo mundo fora do lar.

Orientação

  • Oferecer brinquedos para que possa exercitar seus sentidos e músculos.
  • Contar histórias, ora reais ora fictícias, para que ela aprenda as diferenças.
  • Responder sempre as perguntas.
  • Ajudar a aceitar os limites necessários.
  • Dar oportunidade para compartilhar experiências com a família.

O Desenvolvimento da criança de 6 e 7 anos

  • Maior amadurecimento neuromuscular.
  • Vocabulário até 2.500 palavras.
  • Faz perguntas sobre tudo que a rodeia.
  • Tem iniciativa.
  • Distingue melhor a realidade da fantasia.
  • Curiosidade sexual mais acentuada.
  • Período de transição entre individualismo e participação em grupos maiores.
  • Mostra algum grau de pensamento abstrato.
  • Aumenta o poder de concentração da atenção.
  • Conhece e usa palavras descritivas e de ação.
  • Maior capacidade de compreender, discutir e enfrentar situações emocionais.

Orientação

  • Dar tempo para completar as tarefas.
  • Dar oportunidades para usar a iniciativa, deixando-a agir por si mesma.
  • Encorajar a criança a tomar posse em grupos, mas não forçar.
  • Contar e fazer contar histórias.
  • Evitar chamar atenção, procurar colocar a criança à vontade. Evitar discussões.

O Desenvolvimento da criança de 8 e 9 anos

  • Aumento da coordenação dos pequenos músculos, apresenta maior habilidade manual.
  • Demonstra maior habilidade em distinguir fatos de ficção.
  • Direito da propriedade bem definido.
  • Está desenvolvendo pensamento lógico.
  • Maior habilidade em exprimir suas idéias, em definir seus problemas.
  • Maior capacidade em aceitar críticas e em avaliar a si própria.
  • Tem interesse em pertencer a grupo.
  • Apresenta independência em relação à família.

Orientação

  • Oferecer trabalhos manuais e brinquedos / brincadeiras mais elaboradas.
  • Proporcionar leituras selecionadas de acordo com as preferências e capacidades.
  • Deve cuidar de objetos pessoais e do grupo.
  • Orientar em generalizações, após várias evidências terem se apresentado.
  • Estabelecer clima que permita à criança concordar e discordar.
  • Orientar na apreciação do valor do outro, assim como no da própria criança.
  • Estimular a aprendizagem de práticas sociais.

O Desenvolvimento da criança de 10, 11 e 12 anos

  • Bom controle de grandes e pequenos músculos, apresenta aumento acentuado da força manual.
  • Coordenação visual e motora quase igual à do adulto.
  • Aprecia medir força física e habilidade com os outros.
  • Apresenta maior habilidade em generalizar e em pensamento crítico.
  • Interesse em explorar e experimentar.
  • Está apta a planejar com antecedência.
  • Pronta a assumir maiores responsabilidades.
  • Capaz de definir e compreender palavras abstratas.
  • Capacidade para generalizações mais rápidas, segue mais facilmente argumentos lógicos.
  • Maior sociabilidade.
  • Nova visão do mundo, mostrando maturidade progressiva.

Orientação

  • Possibilitar recreação variada.
  • Orientar quanto à competição.
  • Procurar desenvolver atitude científica: fato X opinião.
  • Dar oportunidade para organizar atividades / eventos.
  • Orientar para estabelecer seus próprios objetivos e avaliar seu crescimento e sucesso.
  • Conversar, discutir suas opiniões, trocando idéias e sugestões.
  • Incentivar o diálogo com os colegas e outras pessoas.
  • Orientá-la e apoiá-la em suas iniciativas, deixando-a assumir suas responsabilidades.

As Necessidades do Adolescente

  • Amor e afeto
  • Segurança
  • Ambiente familiar tranqüilo que dê suporte às freqüentes crises de insegurança e identidade
  • Pertencer a um grupo
  • Privacidade e respeito
  • Ter projetos de vida e objetivos imediatos
  • Respeito e compreensão acerca das dificuldades que atravessa
  • Liberdade para tomar decisões e agir nos aspectos para os quais já apresenta maturidade e capacidade
  • Limites que o ajudem a se proteger da própria onipotência
  • Ter valores éticos

Orientação

  • Dar oportunidade para expressar sua opinião
  • Fazer com que assumam as conseqüências de seus atos
  • Ouvir, dar afeto e compreensão
  • Ser justos e equilibrados
  • Tolerar seus momentos
  • Fazer conhecer e respeitar as normas da família
  • Estimular positivamente e ressaltar as vitórias
  • Ser breves, objetivos e verdadeiros
  • Exigir que informem onde e com quem estão
  • Aceitar a necessidade de independência

Conclusões

A infância e a adolescência bem orientadas pelos pais é o primeiro grande passo na busca da felicidade ao longo da vida. E a felicidade, por sua vez, é determinada por uma boa administração das necessidades, com uma clara distinção entre o imprescindível e o supérfluo e pela abundância de carinho.

Autoria: Psicólogas:
ANGÉLICA M. A. BOTASSARI
GISELLE GALEGO RAMOS

Bibliografia:

  • Zagury, Tania. Limites sem trauma: construindo cidadãos – 87ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 2011.
  • Outeiral, José. Atendimento psicanalítico de adolescentes. Coordenação da série Isabel Cristina Gomes – São Paulo: Zagodoni, 2012.
  • Monteiro, Elizabeth. A culpa é da mãe: reflexões e confissões acerca da maternidade – 3.ed. São Paulo: Summus, 2012.
  • Newman, Alexander. As idéias de D.W. Winnicott: um guia. Tradução de Davi Bogomoletz – Rio de Janeiro: Imago, 2003.
  • Lyford-Pike, Alexander. Carinho e firmeza com os filhos. Tradução de Cristian Roberto M. de S. Clemente – São Paulo: Quadrante, 2003 – (Coleção Vértice; 54).